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Epifanias da Amizade

  • Natacha Vieira
  • 6 de mar.
  • 2 min de leitura

Editado por: Catarina Casal

Maria Natividade Ferreira

Walter Caldeira Caldas

Queria ter te conhecido antes, ter sentido o gosto da tua companhia desde criança. Será que nossa infância teria sido mais gentil e esta solidão medrosa menos constante? 

Partilhar alegrias que ficariam para sempre eternizadas. Descobrir o mundo e suas maldades-bondades de mãos dadas. É um facto que falta amor no mundo e temo pelas próximas gerações. Como seria a paz completa de estar no mundo? Mas, pelo menos uma vez, esta terra foi amável comigo. Minha tristeza, simples de época, foi enterrada e o tempo foi fácil de domar, atencioso. Não estava mais sozinha, senti-me abraçada ao longe e hoje sou abraçada bem de perto. 

Juventude rápida escorre entres nossos dedos; talvez o Destino ou o Olimpo tenha agarrado o momento exato. Hora certa para brincadeiras sem fim que se tornam palavras de apoio. Gosto de viver a verdade de todas as religiões, mas hoje prefiro desacreditar em milagres. Hoje os louros são nossos.

Vejo-te forte como tronco de árvore, sem nunca perder esse teu balanço de folha verde-amarelada. O vento sopra, calmaria. Que venha ventania feroz e desconhecida! És pura felicidade, rodeado de amor e natureza.

Nossa forma de explodir é igual, acho que já nos conhecíamos em criança. Bagunça parecida e que privilégio parecer contigo! Éramos meninas, conhecendo a dor uma da outra, e hoje somos meninas amando intensamente outras meninas. Nossas cores sempre iguais. 

Obrigada por dividir comigo tudo o que bate tão forte no teu coração. Foi vontade do universo. Tenho certeza — pedra dura e tijolo forte que nenhum lobo pode assoprar — de que me conheci em outro alguém. Digo sempre que vida é se conectar e assim se vive bem. Se viver é realmente sinônimo de amar, então tá tudo certo! Abraço-te e atravesso-te, nossos fantasmas de infância e epifanias se fundiram. Eu te conheço desde criança. 

 
 
 

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