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Poe, o mestre do Horror

  • Mariana Ribeiro
  • 3 de abr.
  • 3 min de leitura

Editado por: Sara Coelho

Edgar Allan Poe é considerado o pai do conto policial, mestre do gótico, do terror psicológico e pioneiro da ficção científica. Nas suas obras, aborda temas como morte, obsessão e loucura, acrescentando ainda à equação narradores pouco confiáveis. Baudelaire, autor de As Flores do Mal, foi quem disseminou as suas obras pela Europa. Já autores como H. P. Lovecraft (Nas Montanhas da Loucura), Arthur Conan Doyle (Sherlock Holmes) e Júlio Verne (A Volta ao Mundo em 80 Dias) admitiram publicamente ser influenciados pelas obras de Poe.

Nascido em Boston, em 1809, era órfão e foi criado pelos Allan. Poe apresentava problemas relacionados com álcool e, possivelmente, com drogas, mas isso não o impediu de alcançar o título de “escritor clássico”. Casou-se com a sua prima, Virginia Clemm, quando ele tinha vinte e cinco anos e ela apenas treze. Todas as fontes revelam que Virginia terá sido o seu grande amor, e que o seu mundo desabou quando esta faleceu — o poema Annabel Lee mostra exatamente a dor da sua perda. No entanto, ao analisarmos melhor a sua vida, Elmira Royster talvez tenha sido este seu “grande amor”. Estiveram noivos antes de Poe se casar com Virginia e, após a morte da mesma, voltou para Elmira.

E isso nem é o mais interessante: existem cerca de doze teorias sobre a morte de Poe. Entre elas, overdose, tumor cerebral e — o que mais desperta atenção — cooping. Cooping era uma prática utilizada por gangues, em que uma vítima era raptada, disfarçada e forçada a votar várias vezes num candidato, sob diferentes identidades falsas. Os votantes eram frequentemente recompensados com álcool. Caso Poe tivesse sido forçado a participar num esquema destes, isso poderia explicar o seu estado semi-inconsciente e a sua aparência desleixada quando foi encontrado.

A sua vida atribulada reflete-se nas suas obras. Poe foca-se na mente humana, culpa, paranoia e obsessão. Os narradores das suas histórias raramente são confiáveis. Temas como morte, amor perdido e loucura são recorrentes. Diz-se que o autor coloca um pouco de si próprio em cada livro, embora nenhum escritor confirme isso oficialmente.

Os seus contos essenciais incluem O Gato Preto (não recomendo para amantes de gatos) e O Poço e o Pêndulo. Entre os poemas, destacam-se O Corvo (o melhor de todos!), Annabel Lee e Lenore. Para os fãs de histórias no estilo de Sherlock Holmes, Poe escreveu ainda Os Crimes da Rua Morgue especialmente para vocês.

Como a maioria dos escritores clássicos, Poe envolveu-se, mesmo sem querer, em polémicas relacionadas com moralidade e loucura. Não é segredo que a maioria dos autores renomados desafia os padrões literários da época — no caso de Poe, o século XIX. No entanto, o autor destacou-se ainda mais pela violência patente nas suas obras e pelo humor negro que permeia muitos dos seus contos.

Para os amantes de ilustração, Harry Clarke foi o artista responsável por retratar os contos macabros de Poe. Clarke inspirou-se no cinema, teatro e na literatura contemporânea. O ilustrador irlandês é considerado único na capacidade de capturar o terror psicológico e gótico exatamente como Poe descreve.

Postos todos os factos apresentados, podemos concluir que Poe é um escritor atemporal, muito à frente do seu tempo, conhecido por explorar a mente humana e o medo como nenhum outro autor o havia feito. Poe gosta de nos manter no limbo entre o real e o imaginário. Mas uma coisa é certa: o mestre do horror não morreu — ele continua a assombrar-nos através das suas histórias.

Ilustração de Harry Clarke para Tales of mystery and imagination.


 
 
 

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