A influência das armas e da cultura: uma breve explicação sobre Hard e Soft Power
- Nicole Barros
- 31 de mar.
- 2 min de leitura
Editado por: Catarina Casal

Com a globalização, o poder de um país já não se mede apenas pela sua capacidade militar ou económica. Atualmente, o poder de persuasão e a sua capacidade de atrair aliados e parceiros de negócios tornaram-se igualmente relevantes. Surge, assim, a distinção entre Hard Power e Soft Power. Por um lado, o Hard Power baseia-se no uso da força militar, na coerção e em políticas de maior imposição. Por outro, o Soft Power expressa-se como uma forma de influência cultural e diplomática, capaz de gerar admiração e respeito, ao invés de medo e submissão (que é o caso anterior). Esta distinção foi amplamente explorada por autores como Francis Fukuyama, Samuel Huntington e Joseph Nye, sendo este último quem cunhou o conceito. Compreender o equilíbrio entre estas duas formas de poder é essencial para perceber não apenas como os países atuam, mas também quais as razões por trás de muitos dos acontecimentos internacionais mais recentes.
É percetível que a história está repleta de exemplos do uso do Hard Power, desde as Guerras Mundiais até aos conflitos no Médio Oriente, que perduram até aos dias de hoje, sem previsão de cessação. No entanto, observa-se atualmente uma crescente tendência para recorrer ao Soft Power, através de investimentos na cultura, na diplomacia e na tecnologia.
Na atualidade, encontram-se vários exemplos que ilustram ambas as formas de poder. Se, por um lado, temos a guerra entre a Rússia e a Ucrânia, marcada pelo uso da força e da coerção, por outro, assistimos à expansão das culturas coreana e japonesa, que procuram afirmar a sua influência global e fortalecer a sua imagem através da arte e do entretenimento — seja através do K-pop e dos doramas, seja através dos animes e dos mangás.
Ainda que assim seja, algumas ferramentas do Soft Power têm sido indevidamente utilizadas, o que contribui para a propagação da desinformação. Um exemplo claro é o das redes sociais, que, inicialmente usadas pelos Estados Unidos da América como instrumento de influência global, tornaram-se hoje meios que aumentam o alcance de notícias falsas e sensacionalistas, promovendo também o crescimento da intolerância e da violência. Segundo o jornal Público, “mais de 80% dos media portugueses já difundiram notícias falsas baseadas nas redes sociais”. Ou seja, algo que deveria servir para fortalecer a diplomacia e difundir conhecimento acaba por tornar a informação menos fiável e por intensificar os discursos de ódio contra minorias.
No grande palco que é o mundo, o poder constrói-se hoje através de dois caminhos que continuam a gerar debate. Enquanto alguns defendem que o Hard Power deve permanecer o foco central de uma nação, outros defendem o Soft Power, acreditando que o investimento em políticas menos coercitivas é um caminho mais seguro para conquistar influência e relevância internacional. Há ainda quem defenda o equilíbrio entre ambos — o chamado Smart Power —, em que o poder militar e económico se aliam à diplomacia e à cultura. Esta parece ser a abordagem mais sensata, pois a força de um país só será verdadeiramente sustentável se houver harmonia entre os dois tipos de poder. Só assim será possível resistir e prosperar num mundo marcado por guerras físicas e culturais, pela desinformação desenfreada e por uma diplomacia cada vez mais frágil.
Comentários