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Uma Reflexão Sobre o Dia do Trabalhador

Por Tiago Correia
Editado por Matilde Mala

No dia 1 de maio, celebra-se o Dia Internacional do Trabalhador. Esta data assinala a comemoração dos feitos económicos e sociais dos trabalhadores, bem como relembra a sua contínua luta.


O feriado teve origem na famosa greve-geral de Chicago, realizada a 1 de maio de 1886. A chamada “Revolta de Haymarket” consistiu num movimento laboral na cidade de Chicago e procurava tornar a cidade no epicentro do movimento nacional pela jornada de 8 horas de trabalho. No início do mês, 35.000 trabalhadores demitiram-se, tendo-se-lhes juntado mais dezenas de milhares nos dias seguintes. Os dias de reuniões e paradas desde 24 abril e as demissões desde dia 1 de maio culminaram, nos dias vindouros, em reações supressivas pela polícia – um desses casos resultou no arremesso de uma bomba à polícia, matando instantaneamente um agente, e que ficou conhecido como a “Haymarket Bomb”. A polícia deteve centenas de pessoas, mas foi impossível determinar a identidade do perpetrador. Não obstante à ausência de provas, oito anarquistas foram acusados e o júri, admitidamente preconceituoso em relação aos arguidos, foi instruído a aceitar uma narrativa de conspiração. Todos foram condenados, quatro foram executados, um cometeu suicídio e os restantes foram perdoados pelo governador John Peter Altgeld, citando a falta de substância e justiça do julgamento.


Inspirados pelo movimento e pela causa da jornada de trabalho reduzida, socialistas e sindicalistas a nível global clamaram pela institucionalização do primeiro de maio, ou “May Day”, como o feriado internacional dos trabalhadores. Pouco anos após a revolta em Chicago, a 14 de julho de 1889, na Europa, a celebração do dia foi oficializada no Congresso Operário Internacional. Já em Portugal, o feriado começou a ser celebrado em 1890, mas a sua comemoração foi proibida com a ditadura do Estado Novo. O feriado foi retomado em maio de 1974, imediatamente após a Revolução dos Cravos.


O dia assinala a luta transnacional das classes trabalhadoras e da sua importância a nível social, enquanto coluna vertebral da produção. Contudo, apesar da sua breve celebração anual e do reconhecimento momentâneo da sua importância, a luta laboral continua. As longas horas de trabalho, a insegurança face à automatização, a redução do valor da remuneração face à inflação, a estagnação de salários e a redução e insuficiência do poder de compra face às necessidades essenciais e mercados de habitação são problemas que ainda afligem as classes trabalhadoras.


Ainda que nos encontremos na era da tecnologia, digitalização e maior proliferação de bens, muitas das dificuldades que afligiam o trabalhador contemporâneo ao advento da Revolução Industrial ainda martirizam o trabalhador da atualidade, da mesma forma ou de maneira atualizada. Mesmo com todas as facilidades na produção, o trabalhador não está emancipado das suas obrigações à produção; não está liberto para o usufruto do lazer, como outros estão. Agora, inclusive, a fronteira que delimitava o meio laboral do pessoal e privado desapareceu, algo potenciado pela digitalização e proliferação do trabalho remoto.


Na chegada de futuros Dias do Trabalhador, poderemos apenas esperar que este seja finalmente reconhecido enquanto fundação da sociedade. Poderemos apenas ansiar pela chegada dos direitos e benesses laborais como uma extensão natural das dimensões democráticas, como a continuação de abril que é, que a automatização e advento da inteligência artificial venham a aliviar o trabalhador e não a competir com ele; que o trabalhador venha a ver necessidades essenciais como alimentação, saúde, habitação, educação superior e lazer asseguradas e que a redução do horário de trabalho diário e semanal seja garantido quando possível.


Referências:

“Haymarket and May Day.” 2019. Chicagohistory.org. 2019. http://www.encyclopedia.chicagohistory.org/pages/571.html.

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