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  • Foto do escritorIone Simões

Poesia Vadia: não é um evento, é um movimento

Texto a partir da entrevista com o seu fundador Acílio Gala.


A enorme variedade de alunos dentro da Faculdade de Letras apresenta uma igualmente enorme variedade de iniciativas, projetos e ideias a conhecer e descobrir. E Poesia Vadia é uma delas. Concebida com a finalidade de criar um ambiente seguro de partilha de arte, Poesia Vadia é composta por uma comunidade de jovens poetas que partilham a necessidade de se exprimir e de ouvir poesia.


O projeto foi criado em 2019  pelo estudante Acílio Gala, no desconhecimento da existência de espaços de partilha de criação poética. Procurando um local de convergência de interesses literários, o projeto nasce com o foco de divulgação de poetas emergentes. O nome provém da frase do poeta e filósofo Agostinho da Silva: «O homem não nasce para trabalhar, nasce para criar, para ser o tal poeta à solta».


As suas atividades consistem em organizar «Noites de Poesia» mensais nas quais acontecem declamações de poesia, performances poéticas e Jam Sessions. Os eventos compõem-se de 3 convidados na poesia, um na música e sempre com um espaço para o microfone aberto. Por vezes, também, os eventos contam com parcerias com associações sociais, cujo custo das entradas de três euros por pessoa é doado. Algumas das associações sociais incluem a Passa Sabi, que trabalha no Bairro do Rego, e a Crescer, que doa produtos higiénicos a sem-abrigos.


Além de efetuar Noites de Poesia, o projeto tem outras iniciativas. Foram feitas duas tournées por Portugal, nos verões de 2021 e 2023, respetivamente. A primeira foi com o objetivo de angariar fundos para a Passa Sabi, enquanto a segunda tinha o objetivo de dar a conhecer alguns projetos de poesia e de arte em Portugal, através de Noites de Poesia com artistas locais. Outra dessas atividades foi um retiro de poesia no Gerês, há dois anos, com as poetisas Maria Caetano Vilalobos e Sheila Rodriguez.


O projeto está, neste momento, a mergulhar-se na sua primeira aventura de edição independente. Esta iniciativa constitui novos desafios, mas não deixa de ser uma «experiência muito gratificante e de muita aprendizagem», refere o fundador. Dado que estas publicações da edição independente não fazem parte do mundo editorial, não entram em competição com as grandes editoras. Assim sendo, Acílio Gala refere que o objetivo desta nova aventura surge com o intuito de combater a edição atual, pois é «muito rápida e em grande dimensão». O novo livro da poetisa vadia Rita Madeira encontra-se disponível à venda na sua segunda edição.


O verdadeiro desafio, constata o entrevistado, é encontrar espaços para realizar as Noites de Poesia. Os donos dos locais mostram-se cépticos a acreditar que os eventos conseguem reunir um número alto de pessoas. Acílio Gala refere que isto também é visível no momento de exigir um cachê para remunerar os artistas. A poesia continua a estar num lugar inferior em comparação à música, sendo as duas formas artísticas estimulantes de maneiras diferentes. A música tende a receber mais dinheiro. “Recentemente, os eventos de poesia têm tido uma maior afluência, mas continua a ser bastante nicho e é difícil atrair pessoas fora da poesia para as Noites de Poesia” diz o fundador.


A participação de Poesia Vadia no VIII Festival de Poesia de Lisboa serviu como um meio para dar a conhecer o trabalho do projeto, do qual receberam «muito bom feedback e a possibilidade de criar novas coisas». Se bem que o convite do Festival funciona como uma boa plataforma de divulgação, Acílio Gala refere que o financiamento de projetos culturais como Poesia Vadia seria uma ajuda muito mais consequente.


O momento mais satisfatório ao longo destes três anos foi o último aniversário do projeto, que contou com a assistência de mais de 100 pessoas e mais de 20 poetas convidados. A celebração teve um programa variado desde o live tattoo, a performance poética e um debate sobre o futuro da poesia em Portugal. 


A próxima Noite de Poesia será no dia 23 do mês de fevereiro na Cossoul, com a parceria da Quinta de São Miguel, que pertence à Sociedade Filarmónica da Amadora.


Editado por Ricardo Cerdeira

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