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Lista V: Entrevista com Vítor Mendonça




Bruna: Boa tarde, nós somos do jornal O Cola. Eu sou a Bruna, a diretora do jornal, e tenho aqui comigo a Aurora, que é um membro do grupo de comunicação. Esta entrevista visa esclarecer o programa apresentado pela Lista V, candidata à Associação de Estudantes, para que es estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa tomem decisões informadas, na hora de eleger a sua futura representação.


Aurora: Nós vamos fazer entrevistas com as duas listas, para postar no site d’O Cola. A primeira parte da entrevista é feita de perguntas gerais e a segunda de perguntas específicas, baseadas em cada programa.


Lista V: Olá, eu sou o Vítor, candidato a diretor do Recreativo da Direção da AEFLUL. Esta lista vem numa sucessão de eventos muito precedida, que começa com o querer mudar a FLUL e tentar arranjar os meios para o conseguir fazer.


Bruna: Quais foram os principais motivos que vos incentivaram a criar uma lista candidata à Associação de Estudantes da Faculdade de Letras?


Lista V: É uma insatisfação geral que se sente, no seio da comunidade estudantil da Faculdade de Letras. Isto sente-se nos corredores, mesmo sobre a Associação de Estudantes e mesmo sobre a Direção da Faculdade. Para além de reivindicações, não há nada. Não há medidas puras e duras. Não vemos, efetivamente, algo a acontecer, nem algo a mudar. Daquilo que é o papel da AE e daquilo que são as suas competências, não há mudança. Não há aposta nem investimento. Só há reivindicação e umas festinhas, de vez em quando. Não é que eu não goste de festas, eu até sou candidato a diretor recreativo - eu adoro festas -, mas isso, no dia a dia dos estudantes, não conta assim tanto. E até nas festas podemos apontar vários erros em questões de segurança, como a pouca iluminação dos espaços, questões de higiene porque não há acesso a casas de banho e de limitação de espaços, o que demonstra falta de preparação e de organização.


Aurora: Qual o principal foco do programa da lista de vocês? (Principais problemas que encontram na Faculdade e que tentarão resolver?)


Lista V: O foco do programa da lista é conseguir, efetivamente, fazer alguma coisa com a AEFLUL, porque temos visto, nos mandatos passados, que há uma certa inatividade estudantil e queremos materializar coisas. Queremos fazer o que é possível fazer e não prometer mundos e fundos a ninguém, porque não estamos aqui para comprar votos com promessas infundadas. Somos um movimento realista. Temos noção da realidade, daquilo que podemos enfrentar, se ganharmos, e das dificuldades que iremos enfrentar para tal. Então, posicionamo-nos sempre com os pés bem assentes na terra e acho que isso é evidente, tendo em comparação o programa da outra lista.


Bruna: Como está organizada a lista a nível interno, para que seja possível a concretização de todos os tópicos do programa apresentado aes estudantes? (Departamentos, Grupos, Direção, etc.)


Lista V: A lista está organizada de uma forma muito correta e muito linear. Temos sete diretores na Direção, cada um com a sua competência. Óbvio que matérias de grandeza maior serão debatidas com um maior número, neste caso com os sete; a decisão nunca irá cair sobre um diretor só. Provavelmente, os sete votarão sobre esses assuntos. Eu, estando no Recreativo, tenho a responsabilidade de organizar as festas e os eventos. A parte cultural está sob a responsabilidade do Mário, o candidato a diretor do Departamento de Cultura, porém, como é uma área mais propícia a eventos, recai também sobre mim. Está, assim, organizada de maneira a que cada um tenha a sua responsabilidade. Cada um forma uma equipa interna com colaboradores e trabalha diretamente com os mesmos. Quando as matérias e ideias já tiverem alguma forma, ou seja, quando deixarem de ser meramente especulativas, avançamos em reunião de Direção. Mostramos o que já planeámos e o que queremos fazer e executamos, avançando com o nosso projeto. Porém, para além da ideia, fica sempre a cargo do diretor da área a organização e o fazer acontecer. As questões de cultura estarão sob a minha responsabilidade e da do Mário, pois tratam-se de eventos. Se for uma reunião com um núcleo, será a Maria, que está no Apoio aos Núcleos. Resumidamente, é assim que funciona a lista: cada um com as suas responsabilidades, mas há questões maiores que têm de ser mais debatidas. E tem de haver discussão, isto é, uma certa dialogação entre os membros.


Aurora: Passando agora à segunda parte da entrevista. Reparámos que, em todo o vosso programa, utilizam a linguagem neutra. Qual a importância da utilização de tal linguagem para a vossa lista?


Lista V: A importância da utilização da linguagem neutra, para a nossa lista, é uma questão muito simples. Nós temos uma comunidade estudantil cada vez mais aberta a novos mundos. Aliás, um dos slogans da Faculdade é, se não me engano, "Letras Abre Mundos”. Logo, se nós queremos ser abertos ao mundo, temos de ser abertos às pessoas e temos de compreender que nem todos se identificam com a concepção do feminino e do masculino. Compreendendo isso, decidimos, em reunião de Direção, criar e avançar com o programa desta maneira. Obviamente, não foi uma decisão consensual, pois na inovação e progresso deste tipo de coisas, às vezes, esbarra-se com várias contrariedades. Numa reunião com quase toda a lista, houve pessoas que se mostraram contra a ideia, mas o progresso, quando acontece, é sempre barrado por alguns conservadorismos. Isto é exemplo disso, mas não quer dizer que as pessoas que recusaram sejam contra a ideia de haver mais e melhor forma de comunicar no mundo atual. Simplesmente eram contra utilizarmos a linguagem neutra. Não quer dizer que tenham uma contrariedade ideológica tão forte que não seja concebível estarem connosco. Como somos uma lista democrática, gostamos de ouvir todas as opiniões. Votamos e é assim que funciona a democracia, tanto internamente, como externamente.


Bruna: De acordo com a proposta de criação de um espaço de reuniões disponível a todos os núcleos, ligas e comissões, uma vez que um dos grandes problemas da FLUL é a falta de espaços, como pretendem garantir que todos os grupos tenham acesso a tal espaço? Os espaços que pensam disponibilizar serão apenas para reuniões, ou será feita uma atribuição de espaço aos núcleos que o pretenderem?


Lista V: Não será feita uma atribuição de espaços a cada núcleo. Nunca teríamos espaço suficiente para atribuir, imaginemos, ao núcleo d’O Cola um espaço apenas dele. Isso seria inconcebível, no momento atual. Gostava muito de que todos os núcleos tivessem, pelo menos, um gabinete para se poderem reunir ou guardar as suas coisas. Mas, atualmente, tendo em conta aquilo que é da AE e aquilo que eu tinha dito no início da entrevista, debruçando-nos sempre sobre medidas realistas. Não posso prometer algo irrealista, neste ano, no próximo, nem daqui a dois ou três. É óbvio que, se tudo correr bem, podemos até aumentar instalações e aumentar a nossa capacidade, mas existem muitos núcleos em Letras, existem muitas tunas, existe o teatro e existem poucos espaços para essas pessoas todas. Mas que vão aumentar os espaços, a partir de 10 de Dezembro, vão. Se a lista ganhar, os espaços irão aumentar, nesse dia. Não acho concebível sermos uma AE fechada, quando núcleos podiam estar-se a reunir no nosso espaço. Nem digo que esteja aberta ao público, mas tem espaço para, pelo menos, os núcleos se reunirem. Na AE, existem duas salas: uma na parte de cima - embora as condições não sejam as melhores - e a outra na parte de baixo. Há duas salas da AE, totalmente disponíveis para se reunirem, que nunca são usadas para reuniões. Para não falar da Rádio, cujo espaço queremos voltar a aproveitar, uma vez que não pode voltar a ser ativa, pois o material é custoso. Esse espaço, se for bem aproveitado, dará também para reuniões. Tendo o espaço da AE, ou seja, a parte de cima e de baixo, quase sempre disponíveis, assim como o espaço do BN e a sala dos Fazedores, conseguiríamos ter, imaginemos, no BN, o teatro a ensaiar; nos Fazedores, uma tuna a ensaiar e, depois, dentro da AE, dois núcleos a se reunir. Eram quatro núcleos, quatro coisas diferentes, que poderiam estar a acontecer ao mesmo tempo, quando, atualmente, o máximo dos máximos que vemos é uma tuna e o teatro a ensaiar, com o resto imobilizado. Ninguém se mexe. Têm que se reunir no Românicas, no bar de cima, ou sair da faculdade para se reunirem - eu próprio, inclusive, já tive de o fazer.


Acho que, às vezes, a questão é de matérias irrealistas. Se nós temos isto, vamos utilizar. Não compliquemos, não tentemos desenhar algo para o qual as nossas competências não chegam. As nossas competências para abrir novos espaços, também a nível de tesouraria, são nulas. É nulidade, querer abrir novos espaços, quando não há novos espaços na Faculdade para abrir. Mesmo se houvesse dinheiro, não se pode abrir um espaço do nada. Por isso, prefiro cingir-me a matérias da realidade que são os espaços que a AE já detém, neste caso, na sua sede, no Bar Novo e nos Fazedores. Estes deveriam dar para os núcleos se reunirem, com um calendário semanal, para estarem muito mais próximos. O calendário semanal será público e será distribuído a todos os núcleos da Faculdade. Marcando com uma semana de antecedência, dispondo da disponibilidade que existe, o espaço é vosso e pode ser utilizado por vós. E, caso não haja esse espaço na Faculdade - o que acho ser difícil, estar uma tuna a reunir, o grupo de teatro a ensaiar, dois núcleos a reunir e um quinto querer reunir -, não nos podemos esquecer de que somos uma associação federada da Associação Académica da Universidade de Lisboa, que tem as suas próprias instalações, não assim tão longe. Sendo a AEFLUL uma das três AEs federadas da Associação Académica, acho que esta nos cederia o espaço para esse núcleo se reunir, caso se suceda a lotação dos nossos espaços.


São questões de realidade. É fazer uma chamada, perguntar se há espaço para reunir na Associação Académica e eles respondem. Se não houver, tudo bem. Se houver, sendo nós uma associação federada, temos de o aproveitar, pois pagamos quotas, todos os anos, para sermos federados.


Aurora: Mencionam que pretendem realizar “parcerias de identidade cultural - para a obtenção de descontos para sócies da AEFLUL”. Como poderão es alunes tornar-se sócies e quais os benefícios disso? Ume sócie da AE teria despesas associadas?


Lista V: Claro que sim, claro que teriam uma despesa associada. Atualmente, é possível ser-se associado da AEFLUL. No entanto, para mim, que vantagens é que ser sócio da AEFLUL me dá? Nenhumas. Simplesmente, tenho de pagar a mensalidade ou anualidade, baixa, mas sem vantagens nenhumas, como existem noutras faculdades. Todos têm direito a votar, isso não se perde por ser ou não ser sócio, mas aqui há uma diferença. Eu, Vítor Mendonça, sendo sócio, imaginemos, da AE da FDL, tenho vantagens. Tenho descontos em livros e lojas. Talvez, se pagar, sem saber qual é o preço, suponhamos, dez euros por ano, ou um euro por mês, ou menos, até - nós, em reunião, estávamos a pensar ser seis euros por ano. É o que digo: não temos ainda muitas vantagens para oferecer a quem é associado, por isso, não podemos pedir muito dinheiro, para, depois, terem poucas coisas. Não havendo nada para oferecer, não faz sentido ser sócio. Porém, imaginemos, se fizermos uma parceria com uma livraria em que, se apresentarem o cartão de sócio da AEFLUL, têm desconto de 10% em livros; se fizermos uma parceria com um restaurante, com uma aplicação, entre outros… É óbvio, porque lhes damos publicidade grátis, tendo em conta que os alunos mostram o cartão de sócio da AEFLUL, eles darão esse desconto como forma de pagar a publicidade que lhes estamos a dar. É isto que queremos fazer com o cartão sócio da AEFLUL e é, também, uma forma de aproximar os estudantes da sua Associação. O facto de eu dar dinheiro a uma causa, neste caso, à Associação, vai-me fazer querer saber o que é que a Associação está a fazer com o meu dinheiro. Se eu pagar uma quota anual, eu vou ter, provavelmente, muito mais atenção onde está a ser gasto o dinheiro da AE. Talvez eu vá participar mais nas RGAs (Reunião Geral de Alunos), para saber onde estão a gastar aqueles seis euros, ou o valor escolhido que, com o tempo, virá a público. O pessoal sentir-se-á muito mais envolvido e participativo, pois estamos a falar do dinheiro investido por eles. É uma maneira de atrair mais participação. Eu não estou a excluir as pessoas que não venham a ser sócias dessa participação, mas a verdade é que o interesse que vemos, atualmente, na participação democrática da AEFLUL é quase nulo. Tirando a Lista V e a Lista U, quase ninguém, figura independente, excetuando alguns núcleos, apareceu na última RGA. Eram só pessoas que eram apoiantes da Lista V e pessoas apoiantes da Lista U. Nota-se que há falta de participação democrática, entre eleitores. É óbvio que, nas últimas duas semanas das eleições, estão todos aos pulos e malucos com as eleições para a AEFLUL, mas, depois do dia da eleição, não há participação. As pessoas não vão às RGAs. Temos RGAs com dez a vinte alunos. É preciso arranjar formas de trazer pessoas para o dia a dia da AEFLUL. Não são só as duas semanas antes da campanha eleitoral que são importantes.


Bruna: Algumas das iniciativas propostas no programa, como as sessões de cinema, a divulgação de projetos de alunes da FLUL e a agenda cultural mensal já são parte da atuação de outros núcleos da faculdade, nomeadamente d’O Cola e do NUCIVO. Seriam realizadas parcerias com os núcleos, para a elaboração e divulgação conjunta?


Lista V: Claro que sim! Nós, quando prometemos isso no nosso programa eleitoral, é com o intuito de, simplesmente, vocês terem maior visibilidade. Ao terem uma conta de instagram com X seguidores, a AEFLUL detém mais seguidores que O Cola e, ao partilhar aquilo que vocês fazem, o vosso trabalho, está a dar-vos maior comunicação com o mundo exterior, a fazer-vos serem maiores. Há mais pessoas que não são da FLUL que seguem a página da Associação. Quero é que vocês cresçam, não tenho interesse nenhum em roubar o trabalho que não vou estar a fazer. Aliás, quero é complementar o trabalho dos núcleos, dando-lhes mais pujança, projeção, visibilidade e arranjando-lhes condições para trabalhar. Quantos mais núcleos trabalharem, melhor é para mim e para o trabalho do dia a dia da AE. Quero essa proximidade com os núcleos. Não quero que a AE tenha núcleos - e isto é uma coisa bastante engraçada, pois os núcleos estão federados à AE - e que, a seguir, a AE não queira saber destes. Eu compreendo se forem núcleos independentes, sem estarem federados, mas sendo núcleos da AE? A AE não ter uma participação ativa nesses núcleos, não ter um investimento mais avultado e aproveitar o trabalho desses mesmos núcleos, como os jornais, as tunas e tudo o que possa existir na esfera de núcleos federados à AE, quando só tem a ganhar com isso? Não percebo o cerne da questão. Eu invisto num núcleo, eles trabalham, e criam receitas próprias. Por exemplo, o presidente do núcleo da Liga dos Estudos Asiáticos liga-me e diz-me que quer fazer uma festa, mas precisa de um investimento de 100 euros. Eu digo: “Tudo bem”. Se precisarmos de investir esses 100 euros, só vamos pedir de volta os 100 euros que investimos. O resto das receitas ficará com os núcleos. Não queremos o dinheiro que os núcleos fazem. Nós podemos, até, ser uma alavanca para vocês terem maior receita e terem maior independência financeira no futuro. Porque, talvez, se esse núcleo fizer a festa e me disser que fez 250 euros, devolverá os tais 100 euros à AE e, quando precisar de fazer outra festa, já não irá pedir dinheiro e vai conseguir criar receitas próprias. Nós só precisamos de dar um empurrãozinho, vocês fazem o resto. É por isso que se criam núcleos e se perde tempo a escrever os estatutos, para terem alguma independência em relação à AE. Não tenho que andar aqui a mexer e a policiar núcleos que são federados, mas que em todos os estatutos dizem ser autónomos da AE. Têm o seu trabalho autónomo. Não me quero estar a meter na vida interna dos núcleos, nunca quis. Não é esse o trabalho que uma Associação de Estudantes tem de ter. O trabalho que uma AE tem que ter a ver com os núcleos é apoiar. Apoiar não significa trabalhar por eles.


Outra questão importante dos núcleos, já que estamos a falar desta temática, é que haja uma certa noção de que, se ajudarmos os núcleos, eles também nos ajudarão. Se um núcleo estiver com falta de mão-de-obra, arregaçamos as mangas e ajudamo-lo. Quando estivermos enrascados numa festa ou num evento qualquer, não será preciso obrigar núcleo nenhum a vir ter connosco, eles vêm por vontade própria. Atualmente, já ouvi dizer que é feita uma certa pressão aos núcleos para aparecerem nas festas da AEFLUL, para que as coisas corram bem e darem apoio logístico. Não concordo com isso. Acho que as dinâmicas são próprias do núcleo e as dinâmicas são próprias da AE.

Outro ponto importante é que queremos recriar um enquadramento dentro da AE, como uma parte interna, que seria uma reunião mensal dos núcleos. Isto é, todos os núcleos da Faculdade reuniriam diretamente com a AE, uma vez por mês, em conjunto, para termos a perceção do que está a falhar e do que podemos melhorar. Não só em relação ao trabalho do núcleo, mas da identificação de problemas da Faculdade de Letras, porque os núcleos também servem para isso. Os núcleos, como são compostos por estudantes, também conseguem identificar os problemas da Faculdade. Reunindo com os núcleos todos os meses, sei o que se passa dentro dos núcleos e os problemas que se sentem dentro de cada um. Se eu não tiver essa iniciativa, se não tiver essa atividade, se não tiver esse chamamento, não me vale de nada nem não me faz sentido. Os núcleos irão afastar-se e desintegrar-se. Temos núcleos a serem criados na FLUL sobre os quais eu nunca ouvi falar. Núcleos que foram criados, foram escritos os estatutos e onde é que estão? Funcionam? Não funcionam? Não sei. Estão mortos.


Aurora: Ao longo do vosso programa, falam em organizar “workshops de cidadania”. Quais os critérios para a escolha dos oradores? Serão pessoas da Faculdade de Letras ou pessoas de associações ligadas ao tema em específico? Serão pagos ou gratuitos para a comunidade estudantil da Faculdade?


Lista V: É uma questão pouco óbvia. No nosso programa, fornecemos um exemplo de workshops de cidadania que é “como fazer um currículo?” e “como fazer o IRS?”. São coisas que não terão um estudante da Faculdade de Letras ou um professor da área de filosofia a explicar como se fazem. Acho que não seria preciso um professor ou um catedrático, mas, sim, uma pessoa que tenha consciência de vida e que saiba, por exemplo, fazer o IRS. Um contabilista, um amigo ou um conhecido que nos possa fazer o favor de explicar a uma plateia como fazer o IRS ou um currículo. São pequenos workshops, de um modo grosseiro, que conseguiremos sempre, provavelmente, em troca da deslocação, não mais do que isso.


Bruna: Pretendem dar, passo a citar, “mais vantagens para es sócies da AEFLUL”. Que tipo de parcerias consideram importantes estabelecer e com que tipo de instituições?


Lista V: Já tinha, mais ou menos, respondido a isso numa das perguntas anteriores, mas posso voltar a falar do assunto. Pretendemos fazer parcerias com lojas, livrarias, talvez com restaurantes e empresas que nos possam dar descontos e vantagens que possamos fornecer aos sócies da AEFLUL,


Aurora: Uma das vossas medidas é a integração des caloires. Sabendo que um dos principais problemas da Faculdade é a cedência de espaços, onde estavam pensando em fazer a Semana de Caloire? E que tipo de propostas têm para colaborarem com o Programa de Mentoria?


Lista V: Essa semana seria feita, talvez, em vários espaços da Faculdade. Temos é que, como digo, ampliar a nossa capacidade de resposta, com maior antecedência, facilidade e proximidade. Aumentando a capacidade de resposta, conseguimos responder a estes problemas. Se nós fizermos uma semana bem organizada, podemos, imaginemos, de manhã, receber os de História, até X horas. À tarde, receber os de Filosofia. No dia seguinte de manhã, os de outro curso. Basta um espaço para fazermos essa semana. Se trabalharmos cinco dias numa semana, basta um espaço amplo em que consigamos reunir com os novos alunos de cada curso que estiverem interessados em serem integrados nas novas dinâmicas da FLUL. Não precisamos de grande coisa. Depois, talvez, no final, e até já tínhamos falado disso, no último dia - neste caso, uma sexta-feira -, faríamos uma festa de integração para o pessoal se conhecer e se comunicar de uma maneira mais informal.


Quanto à parte dos programas de mentoria, eu, pessoalmente, e este é um pensamento meu apenas, acho que só temos a beneficiar com os programas de mentoria. Temos é de conhecer os mentores, porque, a partir do momento em que conhecemos os mentores de um curso, conhecemos também os mentorados. Eles vão aproximar-se da AE, porque eu falarei com os seus mentores. Por exemplo, há menos colaboradores da minha lista que são mentores, mas há pessoas da direção que são mentores este ano. Às vezes, há questões complicadas que são extrapoladas para um nível de dificuldade extremo, quando, na maioria das vezes, se resolveria com uma maior ligação à comunidade estudantil. E quando digo uma maior ligação à comunidade estudantil, refiro-me a ir falar com as pessoas. É só preciso falar, porque isso cria ligação. Uma coisa tão simples como ir tomar café com um rapaz que é mentor e, a seguir, estar lá com os mentorados dele, já cria ali uma ligação pessoal. Já ficam a saber que sou da AE, que fui candidato no ano passado e que me candidato este ano - tanta coisa pode se resolver com uma maior ligação com o pessoal e ter o pessoal da AE a sair da mesma. Por exemplo: ter os membros da AE no Românicas, no alcatroado ou no bar de cima. Temos é que ter uma Associação de Estudantes que saia da AE! A sala da AE é só para reunir. Quando queremos estar a falar, vamos beber café. Assim, as pessoas conhecem-nos e não têm problemas em falar connosco. Eu raramente vejo alguém da AE no Românicas ou no bar de cima. A resposta é sair da AE e estar aberto a falar, conhecer e incentivar novas pessoas a terem uma maior participação democrática na AEFLUL. Com estas pequenas coisas, vais crescendo, criando e formulando uma estrutura. Mas isto também não é uma coisa que se faça do dia para a noite. Ao contrário de muitas das coisas que são palpáveis no nosso programa, isto é algo que leva o seu tempo. É uma coisa que tem de ser construída, pois são ligações pessoais, e toda a gente sabe que estas ligações levam o seu tempo a construir, mas, ao fazer isto, descartas muito do trabalho que terias se o fizesses de outra maneira.


Bruna: De acordo com a medida de apoio à moda circular apresentada, qualquer alune poderá colocar roupa à venda na loja online criada pela AE? Como será selecionada a roupa que irá para venda e/ou para instituições?


Lista V: É óbvio que não seria a mesma coisa se um aluno chegasse à AE e dissesse que queria vender roupa ou dissesse que a queria doar. Se ele me diz que a quer vender, vendemos a roupa. Se ele me diz que a quer doar, doamo-la. Não posso andar a desfraldar as expectativas das pessoas. É um contrato de palavra, mas é óbvio que, se ele me chega à AE a dizer que quer vender roupa, o dinheiro há-de lhe chegar. Se não for vendido, isso é outra questão. Se ninguém quiser comprar, mas se ele me pede para vender, eu vou tentar vender. Nós só temos a plataforma. A mesma coisa se passa com os núcleos. Nós queremos criar uma plataforma que tenha mais visibilidade, a vós e à AE, e ajudar-vos a fazer a vossa vida. Queremos só facilitar as coisas.


Aurora: Em relação à proposta de incluir estilos de vida sustentáveis, nomeadamente vegetarianismo e veganismo, na faculdade, como seria feita essa inclusão de maneira prática?


Lista V: Da mesma maneira que podemos dar workshops de cidadania, também podemos fazer conferências sobre os benefícios do veganismo e do vegetarianismo para o ambiente. Temos a parte mais prática, que seria, em eventos, sempre e sem excepção, incluir essas opções. Na parte mais teórica e formal, temos as conferências e causas de sensibilização.


Bruna: De acordo com a medida apresentada pelo Departamento de Saúde e Desporto, quais as instituições que farão os rastreios e as doações de sangue e como será a deslocação? Serão es alunes a deslocarem-se, ou as próprias instituições virão até à FLUL?


Lista V: Pela experiência que tenho, essas instituições deslocam-se aos espaços e costuma ser da responsabilidade do Serviço Nacional de Saúde. Fala-se com os centros de saúde da localidade, marcamos de acordo com a disponibilidade e eles deslocam-se até à faculdade. Em relação a rastreios de sangue, o Instituto de Sangue fica bastante próximo da FLUL e, tendo familiares nessa instituição, sei como funciona e que, sim, deslocam-se aos espaços. Acho que era uma atividade que, se não tivermos espaço na AEFLUL disponível para o fazer, o diretor da Faculdade não iria dizer que não a fazermos rastreios de sangue dentro do espaço da FLUL.


Aurora: Tendo em mente a existência de apenas um psicólogo para os cerca de 4 200 estudantes da Faculdade, de acordo com o site da mesma, que se relaciona com a vossa proposta de aumento dos apoios à saúde mental des estudantes, como seria feita a exigência para a contratação de mais profissionais de saúde mental?


Lista V: Temos várias maneiras de exigir coisas e de sermos reivindicativos. Normalmente, e como temos visto, às vezes, não nos dão a resposta que queremos. Temos os meios próprios em que se podem pedir coisas, neste caso, o Senado da Universidade de Lisboa, no qual a AEFLUL tem assento; as reuniões diretas que a AEFLUL tem com a Direção e as próprias instituições de saúde, com quem nos podemos reunir e pedir mais meios para combater a falta de psicólogos na Faculdade de Letras. Temos várias formas de o fazer. Depois, temos uma forma que é impossível - que eu gostava muito que fosse possível -, que seria a própria contratação de um psicólogo por parte da AEFLUL, mas não existem meios para tal. Não somos uma Associação da Faculdade de Direito, que tem orçamentos milionários. Temos um orçamento baixo. E, também, temos instituições próprias do Sistema Nacional de Saúde que têm consultas de psicologia. São poucas, mas existem, só que nunca dão resposta àquilo que é necessário. O que nós queremos fazer e idealizamos é isto: primeiro, queremos ter reuniões calmas, sem berraria, sem grande tumulto, com o Senado da Universidade de Lisboa e com o Diretor da Faculdade de Letras. Vamos dizer-lhe que, como é óbvio, um psicólogo não dá para 4200 estudantes e perguntar qual é a contra-oferta que ele nos apresenta. O mesmo faremos com o Senado. Nós nunca vamos entrar a matar com ninguém. Por mais que a relação esteja azeda entre a Direção e a AEFLUL, não vamos entrar a matar. Se queremos pedir algo a alguém, não vamos entrar aos berros no gabinete dessa pessoa a pedir, porque, assim, é óbvio que ela não nos vai dar. Se nós queremos pedir alguma coisa a alguém, temos de ser cordiais. É óbvio que a Direção pode dizer que não e, aí, sim, podes ser um bocadinho mais agressivo no teu discurso e publicitar as coisas da maneira que tu queres. Porém, tens várias maneiras de arranjar mais psicólogos, como parcerias com o Instituto de Psicologia que fica na Cidade Universitária, pois há muitos alunos de Psicologia que estão em Mestrado e fazer parcerias é sempre uma coisa positiva. Se eles têm o recurso humano, porque não utilizá-lo? Há várias formas, sem contar com estas primeiras instâncias. Se num determinado momento nos recusarem, vamos recorrer a outras e procurar sempre a possibilidade de ter mais psicólogos. Nós também podemos fazer a reivindicação, mas temos que trabalhar internamente para a conseguir, porque não temos nada, se ficarmos à espera.


Bruna: Pretendem que haja “realização de noites de quizzes, de karaoke e stand-up comedy”. Estas noites terão custos associados para es alunes?


Lista V: Em princípio, o custo associado aos alunos será o consumo. Se não consumirem, não pagam. É simples. No caso do stand-up comedy, vou ter de pedir para pagarem alguma coisa. Das duas uma: ou meto a bebida mais cara, para rentabilizar e conseguir pagar à pessoa que trouxe para atuar, ou faço o contrário, cobro um bilhete à entrada. Se a pessoa cobrar 250 euros por espetáculo, cobramos um euro por cada aluno e, a seguir, a bebida fica mais barata. Se não for isso, aumento o preço da bebida para poder pagar ao artista, porque estas coisas também têm um custo para a AE.


Aurora: Durante a entrevista, houve algum tópico que não foi abordado e que gostariam de esclarecer?


Lista V: Há sim, um tópico a abordar, na parte do recreativismo e que me toca a mim, que é um protocolo com a Câmara Municipal de Lisboa que tem de ser feito. Eu não tolero, e nem vou tolerar, festas sem licença de ruídos, sem segurança e sem casas de banho. É uma vergonha, a imagem que isto passa para o resto da Universidade de Lisboa. Se for só para alunos da FLUL, tudo bem, já sabem o que é - mesmo assim, para mim, não era aceitável -, mas fazer uma festa de Halloween que teve 2000 a 2500 pessoas sem casa de banho? Onde é que estamos? Estamos todos malucos? Isto não é exequível. Queres fazer uma festa grande, tens de ter estrutura para fazer uma festa grande. Fazer uma festa de Halloween sem uma licença de ruídos? Para 2500 pessoas? Não, não dá. Se não temos meios para o fazer, não o fazemos. Criamos os meios primeiro e, quando tivermos os meios criados, fazemos legalmente, com casas de banho, máquinas de cerveja de qualidade e espaços seguros. É muito importante não tentar sobrelotar o Bar Novo, que foi o que aconteceu na Festa de Halloween, em que estávamos todos numa enorme festa na rua e, depois, a rua fechou e meteram todas essas pessoas no BN. É impossível. A moldura humana que ali estava não cabia toda dentro do BN. Ia dar porcaria, ia havendo desmaios e havia pessoas a sentirem-se mal-dispostas. Ainda bem que a cena foi abortada a meio caminho. Não podemos fazer uma festa na base do desenrasco e na base de “a gente tem barris de cerveja, vamos vender cerveja e está feito”, “a gente só quer fazer um dinheirinho e uns trocos com esta cerveja”, e “licença de ruído não é preciso, fechamos à meia-noite e fazemos ali uma marosca e não aparece polícia”. Não podemos correr esse risco, pois somos uma associação de estudantes de ensino superior. Há, por aí, associações de estudantes a organizarem festas melhores que a AEFLUL. Mais seguras e com melhores condições.

É preciso ter em atenção estas coisas, que, muitas das vezes, passam ao lado e podem ser muito importantes. Se acontecer algum acidente, meia FLUL fica manchada para sempre. Agora, se eu tomar todas as precauções e tiver em conta todas as condições, se um acidente acontecer, não é por culpa nossa. Se um acidente acontecesse na Festa de Halloween, não seria um acidente. Seria algo resultante da má gestão de quem organizou a festa. É isso que temos de ter em atenção.


Bruna: Muito obrigada pela vossa presença e esclarecimento!




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