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De volta à rotina

Texto de Carolina Franco
Editado por Bruna Luz

Setembro chega e com ele vem a rotina universitária. Parece que assim que acordamos no dia 1, uma chuva de responsabilidades cai aos nossos pés. Por um lado, ainda estamos habituados à rotina de férias: o dormir um bocadinho mais de manhã, as idas à praia, as saídas com os amigos. Por outro lado, temos a matrícula, a escolha de cadeiras do semestre, a preparação mental para acordar cedo e ir apanhar um meio de transporte público que parece fazer de propósito para nos dificultar a vida.


Com o começo de um novo ano escolar, estamos todos tão preocupados em termos os cadernos e as antologias das cadeiras a tempo das aulas começarem que nem temos tempo para parar e pensar que estamos um ano mais velhos, um ano mais perto dos nossos sonhos, um ano mais perto de alcançarmos as nossas metas. Para alguns que ainda estão incertos, um ano mais perto de se encontrarem.


O regresso às aulas traz um misto de expetativa e ansiedade. Afinal, rever amigos é sempre motivo de alegria, mas quando pensamos em acordar de madrugada para apanhar um autocarro cheio que quase de certeza vem atrasado, é normal não estarmos assim tão animados.


Voltar à rotina significa voltar a procurar rotas alternativas para chegar à faculdade, já que já estamos à espera de um comboio suprimido aqui e ali e de intervenções na linha do metro à pior hora possível. Todos reclamamos sobre isto nas redes sociais e em grupos do Whatsapp, mas na realidade faz tão parte da nossa rotina que seria estranho se não acontecesse. É estressante, sem dúvida, mas também reconfortante, familiar.


Entrar na faculdade pela primeira vez após meses longe pode parecer intimidante, quase como irmos a casa de um parente que só vemos de vez em quando, é constrangedor. Felizmente, essa é uma experiência mútua (e temporária) que muitos de nós partilhamos. Para alguns, a quantidade de pessoas num mesmo espaço é desconfortável, sentimento esse que eu partilho. Ainda assim, se pensarmos bem no assunto, não é assim tão diferente do que ir para uma praia no Algarve, com a exceção da falta de turistas. Na praia temos um aglomerado de pessoas que querem relaxar e divertir-se, na faculdade temos um aglomerado de estudantes que querem conquistar os seus objetivos. No fim das contas, o único motivo pelo qual o edifício da faculdade é mais intimidante do que uma praia, é o contexto social onde se insere. Isso e, claro, o espaço fechado, o que pode contribuir para a sensação de aglomeração.


Quem está ansioso pelas avaliações? Pessoalmente, eu não. Brincadeiras à parte, o medo que vem quando pensamos em apresentações orais à frente de mais pessoas do que gostaríamos e trabalhos de grupo com membros cujo único contributo é escrever o nome no fim, é perfeitamente válido. As aulas ainda nem começaram e já estamos a pensar em todos estes cenários e muitos mais, pensamos nos professores que vamos ter e imploramos a uma entidade maior que eles sejam tão acessíveis quanto competentes.

A rotina é exaustiva, mas de certa forma gratificante. Somos parte da população que tem o privilégio de poder estudar no ensino superior, o que é sempre uma experiência enriquecedora e valiosa no nosso percurso. Somos encarregados de diversas responsabilidades que, por vezes, podem parecer mais do que conseguimos aguentar. Para muitos, a faculdade é o primeiro passo na vida adulta e é uma pressão com a qual temos de aprender a lidar sem nos deixarmos recair. Eu sei que é mais fácil na teoria do que na prática, é muito mais difícil manter um espírito positivo quando temos duas apresentações orais, três trabalhos de grupo, dois projetos individuais, um livro de 500 páginas para ler e quatro testes, tudo no espaço de tempo de uma semana. Temos de arranjar tempo para ir à biblioteca entre aulas, muitas vezes na hora de almoço, já sabemos que pelo menos uma refeição nossa vai ter de ser uma sandes e se não estivermos a estudar enquanto a comemos, vamos estar a pensar no que estudar. Vendo as coisas nesta perspectiva, é surpreendente como já normalizamos esta rotina que para os nossos amigos ou familiares mais novos, ainda no ensino secundário, é aterrorizante.

Mais um ano está à nossa frente e a rotina vai recomeçar, simultaneamente cansativa e recompensadora. Para muitos, a vida social renasce. Vamos rever os nossos amigos, almoçar com eles e voltar aos encontros de bubble tea após as aulas. É a época onde retreinamos o nosso cérebro para sair do Modo Férias e entrar no Modo Estudante, repleto de responsabilidades e pequenas frustrações que já fazem parte do nosso dia a dia. Ainda assim, não desistimos, porque estas dificuldades que encontramos ao longo do caminho contribuem para um futuro que, apesar de incerto, está lá.

Bem-vindos de volta, estudantes! Que este ano seja o melhor que já viveram!



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