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  • Foto do escritorIone Simões

As duas semanas mais extenuantes do «semestre» académico

Solidariedade para com os estudantes que ainda estão a entregar trabalhos e a estudar para testes! Assumo que estejam ao borde do colapso.

Posso assegurar-vos de que não são os únicos nesta situação. A verdade é que, mesmo sendo uma pessoa muito organizada que estuda com antecedência para que o tsunami de testes, ensaios e trabalhos de grupo não arrase comigo nas semanas finais, ser disciplinada não é suficiente para não vivenciar os dias pré-férias (não de verão porque estamos com 15ºC) com uma legítima aflição.

Isto porque a densidade que as últimas semanas têm na FLUL faz dobrar a curvatura do espaço tempo numa singularidade que parece não ter saída. Estou a ser dramática, eu sei. A verdade é que, como tudo, isto passa. E temos à nossa frente quatro meses de excesso de tempo pelos quais, pelo menos eu, fico rabugenta por não ter nada para fazer. Sempre fiz a piada de que as férias phineas-and-ferbianas eram uma maneira de forçar os estudantes a ler, como acontecia nos tempos anteriores à era digital, em que o ócio era precursor de milagres. Agora penso que pode estar relacionado com o semestre de verão.

As últimas duas semanas têm sido um desfile de conversas protagonizadas por frases como: «areces cansada», «Correu bem o teste?», «Já estudaste para…?», «Vou ter três testes no mesmo dia», «Não tenho estado a dormir bem», »Este é o meu quarto café do dia», «Não tive tempo para almoçar», «Estou farto disto», «Só quero que isto acabe», «Estou exausta».



As datas de avaliações são uma constante negociação entre professores e alunos, votações com a mão no ar nas quais sempre há uma pobre alma que, por azares logísticos, acaba com dias que desafiam as regras habituais do espaço-tempo. Se bem que poderíamos faltar às aulas entaladas entre apresentações e testes, isso não convém, porque estas costumam ser aulas de revisão nas quais temos a última oportunidade para resolver dúvidas pendentes.

Ainda que acredite na exigência e no rigor académico como geradores de resultados admiráveis.

Isto é um disparate.

E nenhum argumento de exigência é válido nestas condições pelo simples facto de esta realidade não ser necessária e incontornável. A Faculdade de Letras deve ser das poucas, se não a primeira com os semestres mais curtos do país. Porque na nossa faculdade é implementado o «fantástico regime de avaliação contínua»! O que não acontece noutras faculdades.

Ainda que não exista um «número máximo de semanas que devem ser consideradas na distribuição do serviço docente» a nível nacional e que, «compete a cada instituição de ensino superior definir» este número (Moura, 2023), existe uma diferença escrita em textos jurídicos que distingue as «semanas lectivas efectivas» e as «semanas destinadas à avaliação de conhecimentos». Porque é que esta distinção de semanas não existe na nossa faculdade?

É provável que o meu cansaço e aversão às semanas finais prejudiquem o meu julgamento, mas está a ser difícil encontrar os benefícios do regime de avaliação contínua.


(O presente texto foi escrito no dia 4 de maio de 2023)

Editado por Ana Espadinha

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